segunda-feira, 22 de janeiro de 2024

Afundando

Meu olhar perdido 

admirando esse horizonte imenso

sinto o sol sobre minha cabeça, 

aquecendo esse meu pouco juízo

quente e sedutor, ordena e me faz entrar no mar me jogar e fazer esquecer de tudo

aquela voz suave no pé do ouvido, que não cala.

tirei minha sandália deixando bem organizada, junto com meus pertences

sinto a areia molhada sobre meus pés  

eles afundando a cada passo dado

entro na agua de roupa e tudo 

lembro de ti, minhas lagrimas se misturam a agua da praia 

olhando em minha volta sem um caminho a existir

mais uma vez, sua voz ecoa nos meus ouvidos

como se estive-se me chamando 

e eu vou.

ando um pouco mais, mais um pouco

sensação ruim essa, as ondas batendo no meu rosto 

mais fundo, pensei em voltar

mais uma vez sua voz vem suave e me acalma

acalmando o meu ser

mas um, dois, três passos a mais

as ondas encobriam meu rosto, não não sentia mais o chão

sensação ruim, agoniante, pesei em voltar, mas.

não tinha o caminho, só desespero, me debato 

brigo com o mar, as ondas me cobriam 

brincava com meu momento de dor

sinto algo me puxar, me sinto preso 
sufocante, 

não sinto o ar, nem o chão nem as pedras

me debato, aos pouco afundo

procuro o ar, procuro o ar

me debato, estremeço, meu corpo se contorce

meu olhos já não vê

meu corpo reage pela ultima vez

solto as ultimas bolhas de ar existente no meu eu, me abandonar

sem o meu ar, sem meu ar

só assim morrerei e viverei nesse eterno e denso mar profundo.




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